Penso que não se pode generalizar pois há partos e partos! Nem sempre a via natural é a melhor!
No meu caso, se eu soubesse o que sei hoje teria feito uma cesariana sem hesitar!
Mas por medo implorei à minha obstetra que tentasse um parto normal a todo o custo pois penso que a natureza sabe o que faz. As cesarianas metiam-me medo.
Entrei no hospital com dois dedos de dilatação e passei um dia inteiro à espera que a minha filha nascesse pois fui dilatando muito lentamente. A minha obstetra já me tinha avisado que a minha bebé era grande e gorducha e que as minhas medidas não iam ajudar tendo em conta que sou magra e muito estreita. E a verdade é que tive um parto pavoroso sem necessidade nenhuma. A minha filha ficou literalmente encalhada no canal de parto. Nem para a frente nem para trás. Tiveram que recorrer à ventosa e mesmo assim foram precisas 5 ou 6 ventosas, duas obstetras e uma enfermeira a carregar-se em cima de mim...e eu só pedia para Deus me dar mais forças pois temia desmaiar. Fiz tanta força, tanta força...e a minha menina lá acabou por nascer. O meu marido ao meu lado acabou por se sentir mal e caiu para o chão quando viu a nossa menina sair roxa, gelada, sem chorar. Estava em hipotermia por ter estado tanto tempo entalada no canal vaginal. A equipa médica 5 estrelas da Cuf Descobertas tratou dela num instante, colocaram-na em cima de mim por escassos segundos e de seguida levaram-na para uma incubadora para ela aquecer. O meu marido ficou com ela e eu fiquei na sala a ser toda cosida por dentro e por fora. A minha obstetra teve que me cortar bastante para conseguir tirar a bebé com as próprias mãos. Se não fosse a sua sábia experiência nem quero pensar o que podia ter acontecido...
Fui toda cosida e ainda tive uma pequena hemorragia no interior da vagina. Fui para o recobro e tive que ser aquecida pois estava gelada, tremia que nem varas verdes. A minha menina continuava longe de mim, algures numa incubadora ao pé do papá a recuperar também a temperatura corporal.
Fui para o quarto e a minha menina continuava longe a aquecer. Ela nasceu às 20h04 e só por volta da meia-noite é que a levaram para o pé de mim. LINDA!...já estava com umas bonitas rosas de cor e uns olhos lindos a olharem para mim.
Passei a noite em branco a olhar para ela e apesar de todo este sofrimento sentia uma felicidade imensa. Mas tive um pós parto horrível. Estive duas semanas de cama sem me conseguir sentar nem por de pé… dava de mamar deitada e cheguei a criar feridas nos cotovelos por estar tanto tempo na mesma posição! Só ao fim de um mês me conseguia sentar naquelas almofadas em forma de donut. Tive que tomar antibióticos e analgésicos para evitar qualquer infecção e suportar melhor as dores…e cada vez que ia à casa de banho até as lágrimas me escorriam pela cara. Parece que me ia abrir toda por dentro… pavoroso!
Para ajudar fiquei com uma crise de hemorróidas por causa da força extrema que fiz no trabalho de parto. Um pesadelo.
A minha obstetra diz que nunca mais me faz um parto natural e eu estou de pleno acordo. Podia ter evitado tanto sofrimento. Só hoje, passado um ano me sinto uma mulher normal, sem dores e sem desconfortos internos.
Mas tenho um marido maravilhoso e compreensivo e nunca fomos tão felizes. Todo este sofrimento foi vivido sempre com um sorriso nos lábios pois eu já tinha estado grávida anteriormente e tinha perdido os bebés e corrido risco de vida… por isso, quando engravidei da minha menina tornei-me uma super mulher. Sofri mas tinha nos meus braços a recompensa: uma filha linda que adoro acima de tudo.
Em suma, hoje em dia há a falsa ideia que todos os partos naturais são um mar de rosas e isso não é verdade. Não se pode nem deve generalizar. Há mulheres e mulheres, há partos e partos, há cesarianas e cesarianas. A minha sobrinha nasceu de cesariana, a minha cunhada não sofreu nada e passados minutos tinha a bebé ao pé dela no quarto. No meu caso passei horas sem a minha filha e ficámos ambas em sofrimento desnecessáriamente. Eu tinha medo de fazer uma cesariana mas acabei por me meter num pesadelo bem pior! E francamente não me sinto mais mulher por ter tido um parto natural e sofrido horrores.