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Feto
Data de Registo: Dec 2008
Localização: Lisboa
Posts: 88
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Perante um amuo, uma birra, uma impertinência, não é invulgar os pais questionarem-se “Será que o meu filho tem mimo a mais?”. De facto, existe uma tendência natural e quase automática para associarmos o chamado “mimo” (que neste contexto será sempre negativamente superlativo) com a birra, provavelmente porque ouvimos frequentemente sentenciar que “o mimo a mais estraga”. Contudo, não é o mimo o causador de uma baixa resistência à frustração por parte da criança. Logo, não existem crianças mimadas. O que existe na base de um baixo limiar de frustração é a inconstância na definição de limites, essenciais no saudável desenvolvimento da criança, a todos os níveis (cognitivo, social, emocional e até mesmo físico). Nenhuma criança gosta de ser contrariada, seja em que fase desenvolvimental for. No entanto, existe uma interessante dualidade que importa sublinharmos: se, por um lado, existe a birra, a frustração, o amuo, por outro lado a criança, ao testar os limites dos pais, está a transmitir precisamente a necessidade de disciplina. Vejamos um exemplo prático: imaginemos que a criança se encaminha para os botões de um fogão ou para a porta de um forno que esteja quente. Dizemos-lhe “Não!”. A criança pára, olha para nós, olha para o fogão e prossegue a sua marcha. Ora, porque é que ela continuou a sua investida após o nosso “Não!”? Porque este constituiu uma advertência incompleta para ela. “Não porquê?”, questiona-se a criança. Entra, aqui e agora, a necessidade de explicarmos à criança o porquê do nosso “Não!”. A explicação, adequada à idade da criança, é fundamental, bem como o canalizar a criança para outra actividade do seu agrado ou facultar alternativas comportamentais, de natureza mais positiva (por exemplo, quando a criança atira os brinquedos para o chão poderemos explicar-lhe o porquê da nossa reprovação, ensinando-a a depositar calmamente os brinquedos numa caixa).
Disciplinar é, por conseguinte, ensinar. Muitos pais questionam-se sobre a idade em que deverão começar a disciplinar a criança e se, em determinadas situações, não estarão a ser demasiadamente brandos ou rígidos com a criança. Relativamente à primeira questão, a disciplina está presente nos nossos actos desde os primeiros meses de vida do bebé, pelo que não existe o chamado “momento ideal para disciplinar” por si só. Existe, isso sim, uma maior receptividade por parte da criança em interiorizar os limites que lhe são impostos, o que costuma acontecer por volta do primeiro ano de vida. Como atrás referi, a disciplina está presente desde sempre, apesar de, por tão ténue que nos pareça, raramente darmos conta que a estamos a pôr em prática. Por exemplo, ensinamos os nossos filhos a dormirem sozinhos (primeiro no quarto dos pais e depois no seu próprio quarto), ensinamos os nossos filhos a não morder o mamilo aquando da amamentação (afastando-os gentilmente e dando-lhes um mobile alternativo para o bebé morder, nem que seja o nosso próprio dedo!), entre outros exemplos. Quanto à segunda questão, a que se reporta ao facto de sermos demasiadamente brandos ou rígidos na disciplina dos nossos filhos, urge ter presente uma primeira ideia: a disciplina deverá ser constante pois a criança, ao pressentir qualquer indecisão da nossa parte (por exemplo, o pai diz que não e a mãe diz que sim, nem que seja com o olhar, ou então quando num dia a criança pode fazer uma dada acçãoe no outro dia já não), irá repetir o comportamento que nós estamos a reprovar ou, até mesmo, intensificá-lo. Paralelamente, existem sinais que a criança nos envia relativamente à natureza da disciplina que está a receber, permitindo-nos regular as nossas orientações. Alguns dos comportamentos que merecem uma atenção cuidada são: - Uma criança apática, pouco expressiva, que não desafia os pais; - Uma criança sensível às criticas brandas que nela despoletam um choro fácil; - Uma criança tensa ou que regrediu noutras áreas desenvolvimentais (sono, alimentação, controlo dos esfíncteres); - Uma criança demasiadamente dócil, sossegada e que não expressa sentimentos negativos; - Uma criança facil- e constantemente irritável ou ansiosa. Qualquer destes sinais estará a indicar aos pais que estes deverão confinar a disciplina a questões realmente pertinentes, não “acorrentando” a criança, por assim dizer, a demasiadas restrições. Que mensagem estarão os pais, neste caso, a transmitir aos filhos? A de que o mundo é um lugar perigoso, de que qualquer exploração ou uma curiosidade mais ávida têm escondidas uma ratoeira e que a criança nunca terá recursos para poder lidar com todo o tipo de estímulos, positivos e negativos. Por outro lado, encontramos pais que não sabem dizer “Não!”, provavelmente com receio de que os filhos os amem menos ou então porque não desejam conotar negativamente o curto espaço de tempo que têm com os filhos durante a semana, por exemplo. Pais, os filhos vão amar-vos sempre e agradecem quando nós lhe impomos limites. Porque tal confere-lhes segurança e ajuda-os a melhor ler (e apreender) o mundo envolvente. Deixo-vos, por último, algumas linhas orientadoras sobre este tema: - A disciplina deverá estar de acordo com a fase de desenvolvimento da criança. Por exemplo, de pouco servirá estimular a criança a fazer as suas necessidades no bacio quando esta ainda não se encontra pronta para o treino e controlo dos esfincteres; - Perante um comportamento reprovável, deveremos atrair a criança para uma actividade alternativa que seja do seu agrado. Quando tal não funciona, podemos retirar a criança do contexto. A explicação do nosso “Não!” deverá estar sempre presente; - Elogiar a criança quando esta está envolvida em actividades positivas; - A disciplina deverá ter em conta o temperamento da criança. Por exemplo, uma criança mais sensível poderá ressentir-se mais quando é mandada para o quarto sozinha do que uma criança mais activa e irrequieta; - As crianças observam e imitam as nossas acções. Nós somos os seus modelos por excelência. Por conseguinte, importa agirmos sempre como tal uma vez que a criança é um adulto em potência; - Quando a criança é maior, podemos questionar qual a sua opinião sobre o que a poderá ajudar a ultrapassar a sua frustração; - Evitar o castigo físico. Não queremos que a criança aprenda que é pela força e agressão física que as contrariedades da vida se resolvem; - Fazer um balanço sempre que a disciplina não resultar. Será que estamos constantemente a repreender a criança ou será que estamos a adoptar uma atitude de laissez-faire? Será que somos inconsistentes acerca do que definimos ser um comportamento reprovável? Será que a criança desafia os pais porque tem necessidade que estes lhe imponham limites ou porque necessita de mais afecto?; - Depois da tempestade, a bonança. Isto é, depois da contrariedade ter passado, urge acarinharmos a criança, mostrando-lhe o quanto a amamos, em qualquer circunstância. E lembremo-nos sempre do seguinte: disciplina não é sinónimo de castigo. Disciplina é sim um acto de amor e respeito pelos nossos filhos. Eles agradecem-nos por isso tal como nós agradecemos (e crescemos sempre mais um bocadinho!) quando aprendemos com os nossos erros. Sofia ************************************* |
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Recém-nascido
Data de Registo: Nov 2008
Posts: 350
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Para mim, mimo a mais é coisa que não existe
!! Mimo significa amor, carinho, afecto,... Dar mimo a uma criança não significa não haver regras, limites,... ![]() Mimar com objectos materiais é que acho que pode ser, se em exagero, negativo para uma criança. Porque poderá torná-la uma criança exigente, insatisfeita com o que tem, a querer sempre mais, sejam brinquedos, bonecas, jogos,... Agora mimar os nossos tesourinhos com beijinhos, carinhos, tempo para brincar, para ver livros,... é das melhores coisas que lhes podemos dar !!
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