Já todos sabíamos que o futuro é hoje, mas existem
notícias que continuam a parecerem saídas da imaginação delirante de um qualquer argumentista de filmes de ficção científica
made in Hollywood.
É o que acontece com esta clínica de fertilidade americana que, à boleia de uma técnica que permite evitar doenças graves, se dispunha a criar embriões com determinadas características físicas, à escolha dos pais! Tenebroso... (e um bocado
dejá vu do filme «Inteligência Artificial», de Steven Spielberg).
Perante a indignação de boa parte da comunidade médica e científica, o centro percebeu que dispensa a publicidade negativa e recuou. Mas a sombra continua a pairar e não me admira que, mais dia menos dia voltemos a ouvir falar de serviços de bebés
à la carte.
Se na Índia e na China existe um mercado mais ou menos tolerado de testes para determinar o sexo do bebé durante a gravidez - com o respectivo mercado paralelo de abortos imediatos - se esta moda de escolher filhos com os olhos da mesma cor do pai ou os caracóis loiros da mãe pega, que moral terão os bem-pensantes ocidentais para criticarem essas sociedades que se desfazem de milhares de bebés, mesmo antes de elas nascerem e só porque são raparigas?