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| Parto Discuta e esclareça, aqui, todos os mitos e medos do parto. |
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#31 (permalink) |
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Directora
Data de Registo: Oct 2008
Posts: 301
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O Problema cara Andreia é que não, as mulheres não são respeitadas. Os homens não são respeitados e sobretudo a nova família, com o novo bvebé que está prestes a nascer não é respeitado. É verdade que há cada vez mais médicos e enfermeiros preocupados em dar condições e respeitarem o parto. mas ainda são uma minoria e quando o parto é induzido, porque a eles dá jeito, acaba sempre com intervenções. sejam as ventosas, o recurso a fórceps ou as inevitáveis cesarianas de urgência. É feio. Porqwue no meio destas decisões «médicas» há sempre uma mulher, um homem, um bebé fragilizados e com medos.
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#32 (permalink) |
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Feto
Data de Registo: Dec 2008
Localização: Lisboa
Posts: 88
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Boa tarde,
A minha última ecografia teve lugar na véspera da Joana nascer, por cesariana. Como a ecografia estava marcada para as 10:15, o pai ainda deu um pulinho ao trabalho para adiantar serviço. Durante a minha gravidez, as ecografias foram realizadas por médicos diferentes. O que me realizou a última ecografia era um médico minucioso mas, ao mesmo tempo, descontraído. A primeira imagem foi logo a da face da Joana, virada para nós! Até parece que estava a adivinhar e a fazer-se para a fotografia :-) No entanto, quando o médico observou o aparelho urinário, soou um alarme: a bexiga da Joana estava enorme, era uma grande mancha preta que tinha quase o mesmo tamanho que o fémur dela...as imagens recolhidas limitaram-se à bexiga, era como se a análise ecográfica tivesse cessado. Olhei para o pai que estava a meu lado de pé. As nossas caras denotavam apreensão. O médico referiu que a Joana poderia não estar a esvaziar adequadamente a bexiga e pediu-me para regressar dentro de 30 minutos, depois de andar um bom pedaço, para ver se a bexiga da bolotinha se esvaziava. Se das outras vezes, saímos da sala das ecografias com um sorriso nos lábios, desta vez algo de diferente nos invadia: porque é que a bexiga estava tão grande, há quanto tempo é que ela estaria assim, será que a Joana estava em sofrimento? Nesses 30 minutos de “pausa”, tentámos descontrair mas foi difícil. Eu falava com a minha filha e pedia-lhe para esvaziar a bexiga. Voltámos para uma nova observação e a bexiga continuava na mesma. Por diversas vezes o médico tentou com o Sonicaid, exercer pressão sobre a minha barriga na tentativa de ver a bexiga da Joana esvaziar-se. Nada. Fui aconselhada a não esperar pela próxima consulta junto da minha obstetra, marcada para o dia 31. “Será melhor contactá-la o quanto antes para analisarmos esta situação. E peça-lhe que veja as imagens da bexiga”, foi o que o médico sentenciou. Acrescentei que todas as outras ecografias não tinham detectado qualquer anomalia, sendo que a anterior fora realizada há pouco mais que um mês. “Frequentemente, as patologias do trato urinário só surgem a partir da trigésima segunda semana, pois o sistema urinário é dos últimos a ficar completamente formado. Esta bexiga pode denotar um bloqueio na uretra ou nos ureteres mas não me parece que esteja a afectar os rins...mesmo assim, fale com a sua obstetra e mostre-lhe as imagens”, explicou-nos o médico. A preocupação invadiu-nos. Caminhámos em silêncio para o carro, eu de telemóvel na mão a tentar contactar a minha obstetra. Telemóvel desligado ou sem bateria, era o sinal que me era devolvido. Entramos no carro para regressar a casa. Tentaria contactar a obstetra entretanto. Não tínhamos ainda percorrido metade do caminho quando eu disse ao pai: “Eu não me sinto nada bem em voltar assim para casa...e se fossemos directos às urgências? É que eu nem sei se a Joana está ou não em sofrimento e há quantos dias é que ela tem vindo a acumular chichi...” Meu dito, meu feito, demos meia volta e fomos directos às urgências. Fui imediatamente atendida por um enfermeiro que, ao olhar para a minha barriga, me perguntou se o parto seria hoje. Expus-lhe a situação e fui conduzida de imediato à unidade obstétrica. Entretanto, o hospital conseguiu contactar a minha médica que prontamente se deslocou até mim. Fiz outra ecografia, de curta duração, e mostrei-lhe as imagens recolhidas durante a manhã. Estávamos perante uma mega-bexiga cujas repercussões eram ainda desconhecidas. O que a minha obstetra disse a seguir como que me atirou contra a parede: “Vamos ter que repetir a ecografia dentro de 24 horas. Se se mantiver este quadro, a Joana terá que nascer. Não me parece que a Joana esteja em sofrimento uma vez que o volume de liquido amniótico está normal e a vitalidade dela é boa. Por isso, esta mega-bexiga é algo que muito recente que não convém prolongarmos. Pode não ser nada e ela entretanto esvaziar a bexiga, como pode ser alguma coisa. Eu e o pai confrontamo-nos, pois, com a possibilidade de um parto “surpresa”. Creio que ambos não estávamos à espera de tal: o que era um dia de ecografia transformou-se num dia de preparação para um possível parto. No entanto, apesar de estarmos preocupados com a existência de uma mega-bexiga na barriguinha da Joana, tranquilizámo-nos com a antevisão de uma nova ecografia e suas consequências (ou era parto ou a Joana estava a ser marota) e com a segurança e profissionalismo que a minha obstetra nos transmitiu. Acho que, por muito que “surpresas” nos confrontem com o desconhecido, como é um primeiro parto, é um bálsamo sabermos, ou melhor, sentirmos, que estamos em boas mãos e que a segurança não será descurada. Eram cerca das 16:30 quando chegamos a casa. Não tinha mãos a medir: faço a alcofa da Joana, preparo o berço (o mobile musical foi montado no dia seguinte) e a mala dela. À noite, depois do jantar, o pai ajudou-me a esterilizar biberons, tetinas, chupetas e afins. Não estava muito ansiosa. Claro que estava um pouco, era provável que amanhã, por aquela hora, a Joana já tivesse nascido. Por um lado, esperava que ela esvaziasse a bexiga até amanhã porque tinha receio que a Joana sentisse algum desconforto; por outro lado, estava expectante no sentido de ansiar pelo nascimento dela, por a ter nos braços, por a inundar de beijinhos...(continua) Sofia ************************************* |
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#33 (permalink) |
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Feto
Data de Registo: Dec 2008
Localização: Lisboa
Posts: 88
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(cont do texto anterior).
Dia 26 de Outubro, céu limpo, sol quentinho. Levantei-me às 8:00, tomei o pequeno-almoço e, cerca de uma hora depois, estava eu a preparar a minha mala, quando a minha obstetra me telefonou: a partir desse exacto momento, estaria proibida de comer ou beber o que quer que seja. Sim, ela estava a preparar-me para que o nascimento da Joana ocorrasse naquele dia. Perguntou-me ainda se dormi bem, se estou ansiosa e pede-me para estar no hospital pelo meio-dia para fazermos então a ecografia decisiva. Entretanto, os avós e os tios ficaram a par do possível nascimento da Joana e foi uma fonte de telefonemas a enviar beijinhos! Os avós maternos, que estão no Porto, aprontaram o saco de viagem, sendo que só depois de eu realizar a ecografia é que saberiam se viriam ou não fazer uma viagem relâmpago até à neta :-) A minha filhota é assim, de decisões rápidas! Perto do meio-dia, e depois do pai ter colocado as malas no carro, saímos de casa. A sede começa a pesar, a fome nem tanto (o pai, de tanto subscrever a importância deste dia, até se esqueceu de almoçar!). Não era ainda uma da tarde quando a minha obstetra me chamou. Deitei-me numa marquesa, virada para uma janela cujos estores descidos deixam passar a claridade do Sol. Olho para o branco do tecto. O pai estava a meu lado. Sinto o gel frio no baixo vente e a pressão do Sonicaid. Invade-me a expectativa, como o ressoar de um tambor.Ouço: “Está na mesma”. Suspiro fundo e peço a Deus que me acompanhe. A Joana vai nascer hoje! Hoje! Esta tarde ou esta noite! A minha obstetra chama uma ecografista para analisar a mega-bexiga. Também ela é de opinião que devemos agir. É solicitada uma segunda opinião, de outra obstetra, que vai no mesmo sentido. A minha obstetra passa-me uma ordem de internamento, sendo que o pai vai até à recepção tratar das burocracias. Enquanto espero por ele, telefono aos meus pais: “Podem vir, a bexiga da Joana continua na mesma, ela vai ter que nascer hoje.” Admiro-me com o meu sangue-frio mas, de quando a quando, veio um soluço à garganta. É um soluço de emoção, naquele dia ia finalmente conhecer a minha filha. A minha mãe emociona-se. Dou-lhe as últimas indicações de como chegar ao hospital, onde me localizar e que números de telefone é que ela poderá contactar para saber alguma notícia. Despedimo-nos com um até já. Até já, mãe! Até já, avó! Às 14:02 dou entrada no meu quarto, juntamente com o pai. A enfermeira pediu-me para vestir uma bata com atilhos nas costas, indicou-me uns chinelos rasos de cor branca junto à cama e dois Microlax que deveria administrar por forma a limpar os intestinos. Quando estivesse pronta, era só accionar a “campainha”, inserida num pequeno comando rectangular que também tinha mais dois botões: um para acender e outro para apagar as luzes. Enquanto me preparava, o pai foi ao carro buscar as malas. É impressionante como ambos não estávamos nervosos, com aquela ansiedade que nos faz andar de um lado para o outro. Havia sim um friozinho na barriga mas nada mais. Eu acho que, se o parto fosse programado com antecedência, haveria lugar para o nervoso miudinho se instalar pois contaríamos os dias para o parto. Neste caso, como o parto chegou de surpresa, só houve lugar para os preparativos-chave: fazer malas e esterilizar biberons, chupetas e tetinas. De intestinos limpos, acciono a campainha. Enquanto isso, chega o berço transparente da Joana com um edredon branco e azul e, aos pés do berço, um saquinho de alças, também ele azul, para colocar a primeira roupinha da Joana: um babygrow branco, um body e calcinhas brancas, um casaquinho branco e um gorro cor-de-rosa. Para além disso, tinha também à mão uma manta de lã em cor creme. Eram cerca das 14:30 quando me foi colocado um cateter no braço esquerdo, um soro, uma pulseira rosa identificativa no pulso esquerdo e uma sonda urinária para quando a minha bexiga estivesse a “dormir”. A enfermeira diz-me que havia mais duas futuras mães à minha frente e que depois era a minha vez de se conduzida até ao bloco de partos. Deitadinha e sem querer ver televisão, recebo a “visita” da minha obstetra que me pergunta como estou e de uma enfermeira que trás consigo um termo de responsabilidade para eu assinar. Chega o pai. Por volta das 15:15, duas enfermeiras vêm-me buscar. Está na hora! À saída do quarto, recebo um beijinho de até já do pai, que conduz o berço da Joana. Lá vou eu sobre rodas. Contorno uma esquina e deixo de ver o pai. Duas portas amarelas abrem-se automaticamente e entro numa sala iluminada de luzes brancas. Há música clássica a tocar baixinho. Sou transferida para a mesa de operações e a minha caminha sai porta fora. Na sala, duas enfermeiras preparam instrumentos, frascos, compressas e recipientes redondos. Sou ligada a um esfigmomanómetro que irá medir a minha pressão arterial. Aparece o anestesista que é uma simpatia. Achei-o parecido com o José Carlos Malato, o mesmo tipo de cara e sorrisos prazenteiros. Coloca-me à vontade, dizendo-me que, durante a administração da epidural, me irá explicando tudo o que faz. Vamos falando sobre as nossas profissões. O ambiente é de descontracção, também entre os profissionais. Até parece que não vou fazer uma cesariana! Surge a minha obstetra toda “artilhada”: bata, chinelos de plástico e touca verdes, luvas brancas e uma espécie de meio funil transparente colocado à volta da boca e nariz. Mais tarde, surge também uma ecografista. Sento-me num dos lados da cama, bem na pontinha, com os pés assentes num banquinho. Chegou a hora de administrar a epidural: posição caracol, braços em torno dos joelhos e queixo bem junto ao peito. A primeira tentativa de epidural falha. À segunda é de vez, após ter sentido um desconforto passageiro provocado pela agulha oca. Deito-me. Começo a sentir que da cintura para baixo o meu corpo adormeceu, excepto os pés (consigo senti-los ao longe). Olho para o grande e redondo foco de luz em cima de mim. É colocada uma cortina azul suspensa num pequeno varão metálico um pouco abaixo do meu peito. Pouco tempo depois sinto movimentos ritmados dentro de mim, como se estivessem a remexer à procura de algo. Vezes há em que o meu corpo vai para a frente e para trás. O anestesista diz-me para não me assustar, que não sinto nada. E, de facto, assim é. Aguardo a chegada da minha filha. Quantos minutos já terão passado? Comento com o ecografista que a Joana, provavelmente, nascerá perto da hora em que a mãe nasceu, 16:30, ao que ele responde que será antes (a Joana nasceu às 16:07). Assistir ao nascimento da minha filha é algo de inesquecível. É uma imagem que acompanhará a minha vida. Quando o anestesista me coloca a mão debaixo da nuca e diz: “Agora vai ver algo de muito bonito”, eu vejo a Joana surgir de mim, primeiro a cabeça, depois os braços e por fim os pés. Exclamo emocionada “Olá, filha!” e a minha cabeça volta a deitar-se. O anestesista congratula-me: “Parabéns, mãe!”. Ouço-a chorar a caminho de uma sala de observações anexa e com amplos vidros. “Já sou mãe!”, o meu coração rejubila. “Tem um choro tão bonito!”, lembro-me de pensar...ali estava ele, o tal estado de graça que me acompanhará durante a vida! Beijinhos, Sofia ************************************* |
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