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| Parto Discuta e esclareça, aqui, todos os mitos e medos do parto. |
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#21 (permalink) |
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Directora
Data de Registo: Oct 2008
Posts: 301
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Na qualidade de mais ou menos moderadora venho aqui reforçar duas ideias:
1- Neste fórum não se pretende apresentar uma ou outra certezas como verdades absolutas. E 2 - acima de tudo não se julga ninguém como melhor ou pior por ter opniões e convicções diferentes. Quanto mais se discute melhor se percebe como há diferentes formas de encarar as coisas. Todas são mães de corpo e alma. Não é disso que se trata. Aqui toda a gente tem total liberdade de participar. Deixada esta questão bem clara gostaria apenas de lembrar que com o que se sabe hoje há cada vez mais médicos e sobretudo enfermeiros a aderir à humanização do parto. Não pode ser mau, nem pôr em casua a competência e segurança dos clínicos se até a própria Organização Mundial de Saúde emite directivas nesse sentido. Quanto ao resto acho que a Sissy deve mesmo participar porque é à sua conta que mais se tem debatido e isso é que é construtivo. Se estivéssemos todas a remar para o mesmo lado não tinha a mesma graça. Eu tive partos de cesatriana e hoje estou cada vez mais convencida que não é certo que tivesssem sido uma necessidade. E digo isto depois de muito conversar com obstetras mais'humanizados' vamos dizer assim. |
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#22 (permalink) |
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Directora
Data de Registo: Oct 2008
Posts: 301
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Independentemente do que se possa pensar sobre a humanização do parto ou, numa outra formulação, sobre o parto respeitado deixei claro que não acho que os médicos devam ser afastados deste debate. Ao contrário de serem eles a decidir que é ou não cesariana, se há instrumentalização ou indução ou o que seja, têm de ser as grávidas bem informadas a poder escolher. Isso mesmo foi o que o obstetra Gerd Eldering contou à PAIS & Filhos na edição de Dezembro.
Mesmo em Portugal há cada vez mais médicos e enfermeiros especializados a defender o nascimento humanizado. E ainda bem. |
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#23 (permalink) |
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Embrião
Data de Registo: Jan 2009
Localização: Vizela - Braga
Posts: 20
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Sou mãe de uma menina linda de 18 meses... é o tesouro das nossas vidas e o momento do parto foi totalmente diferente do que alguma vez idealizei....
Primeiro porque já há muito -muito antes de ser mãe- lia bastante sobre o assunto e tinha na minha mente ficar em casa o maior tempo possivel para evitar a frieza e rapidez com que nos obrigam a parir... Tal foi-me impossivel pois tive de ficar internada por ter as tensões altas, estar super inchada e por ir já nas 41 semanas e sem sinal de dilatação. Apesar de tudo isto, na noite do dia 27 de setembro comecei a perder o rolhão mucoso e pela manhã começaram pequenas contrações, nada de especial que se aguentava muito bem, lembro-me até que só me apetecia dormir.... Entretanto, pela manhã vieram fazer os famosos "CTG" e detetaram que estava com contrações, mas nao me disseram absolutamente nada... Quando passado algum tempo me dizem para ir porque estava na hora da minha filha nascer... Segui para o bloco de partos ainda meia atordoada, porque sentia que era muito cedo, e quando a medica de serviço chegou limitou-se a vêr a dilatação comentar que estava com dois centimetros e dizer que "ia pegar bem"... Não passou muito tempo, até eu começar a pensar que ia morrer, tantas que eram as dores e que apareceram tao de repente... Tenho a certeza que o meu corpo não estava ainda preparado, mas infelizmente nos serviços de saude limitam-se a fazer os procedimentos habituais, em vez de olharem para cada caso como um unico... Mas a minha historia nao ficou por aqui... Depois de alguns episódios infelizes em que considero que nem vale a pena referir... Chegou uma determinada altura em que a parteira disse que tinha de fazer força para puxar que a minha filha ia nascer. Comecei a puxar, mas disse que sentia que ia rasgar, (de salientar que nao tive epidural porque o meu sangue nao estava a coagular) ao que me respondeu que era isso que tinha de sentir. Fizeram-me a episio e além disso tive varios rasgos, em varias direcções. e ainda me lembro dos olhos (com lagrimas) da parteira quando me viu... Disse, por outras palavras, que nao se sentia capaz de me coser e que ia chamar a doutora para o "trabalho" ficar bem feito... O momento dos pontos demorou mais de uma hora, tempo esse ( durante o qual a dita doutora atendeu um telefonema da filha que perguntava se ia demorar muito para a ir buscar) e a minha filha estava longe de mim, noutra sala, sem sequer ter mamado ...Mais, a tal doutora disse que me ia passar um antibiotico, mas azar dos azares... Esqueceu-se de escrever no meu processo, e por mais que eu falasse com as enfermeiras a resposta era a mesma: " a doutora nao escreveu nada, nao podemos fazer nada..." (mas podiam, bastava um telefonema, digo eu!) Para terminar, a juntar a tudo isto, quero apenas dizer que dores no pós parto foram imensas, não conseguia sair da cama... oito dias após o parto voltei ao hospital porque as dores eram mesmo muitas. A doutora que me viu estava na hora de saida, disse que para oito dias estava muito bom e foi-se embora deixando a recomendação de me abrir para a janela para apanhar sol para secar e cicatrizar melhor... Oito dias mais tarde voltei ao hospital, porque agora alem das dores estava com um cheiro fetido, e foi aqui, finalmente, que me receitaram o "famoso" antibiotico... Comecei então a melhorar.... Tudo isto para dizer que, na minha opiniao, todo este drama poderia ter sido evitado se nos respeitacem mais. Felizmente a minha filha nao ficou com sequelas. Eu fiquei, e tenho receio de nunca ficar boa... |
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#24 (permalink) |
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Recém-nascido
Data de Registo: Nov 2008
Posts: 350
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Lamento muito o que te aconteceu Julianaf... Realmente, o nascimento de um filho não deveria ser tão traumático
! Quero só dizer-te que conheço mulheres que também rasgaram em várias direcções e que demoraram muito tempo a recuperar, mas recuperaram... e hoje, as dores, o sofrimento, ... não passam de uma má recordação. Não penses que podes nunca recuperar porque com o tempo de certeza que vais ficar bem !Força!! |
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#25 (permalink) |
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Jornalista
Data de Registo: Oct 2008
Posts: 13
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Juliana,
O seu relato é impressionante e doloroso de ler. Estou totalmente solidária consigo e desejo que consiga ultrapassar a mágoa da melhor maneira. Mas, ao contrário do que diz a Sissy, que a aconselha apenas a ser forte e a deixar passar o tempo (de certa forma, a aceitar tudo o que lhe aconteceu), eu acho que devia reclamar. Acho mesmo. E não é por terem passado 18 meses que perde o direito à reclamação. Escreva uma carta ao director/a do hospital onde teve a sua filha. Apenas isso. Escreva-lhe e conte-lhe a sua história. Não aceite o que lhe aconteceu. Obviamente que não lhe estou a dizer para carregar a raiva dentro de si eternamente. Estou a dizer-lhe que tem direito a dizer que foi mal assistida no parto e que isso lhe provocou uma mágoa que ainda não ultrapassou. É a sua vida, o seu parto, o seu corpo, a sua filha. Não aceite. |
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#26 (permalink) | |
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Embrião
Data de Registo: Oct 2008
Posts: 28
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Citação:
Gostaria apenas de agradecer por terem colocado no site a entrevista ao Dr. Gerd Eldering. Gostei muito da postura deste obstetra!
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#27 (permalink) | |
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Embrião
Data de Registo: Oct 2008
Posts: 28
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Citação:
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#28 (permalink) |
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Recém-nascido
Data de Registo: Nov 2008
Posts: 350
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Sim... sem dúvidas... muito terapêutico... passados 18 meses escrever uma carta dirigida ao hospital a queixar se da forma como foi tratada... Desculpem a ironia
!!!Penso que ninguém tem dúvidas de que houve pouca sensibilidade na forma como a Julianaf foi tratada e que ficou com sequelas que vão demorar a sarar, tanto físicas como psicológicas .Agora se, passados 18 meses, a Julianaf não tomou a iniciativa de se queixar junto do hospital, não deve ser porque não sabia que o poderia ter feito, certo? Vivemos todos no mesmo mundo, sabemos que temos direito a reclamar, a apresentar queixas,... Se até agora não foi esse o caminho que tomou, é porque talvez não seja por aí que se vai sentir melhor! Se for... então sim, força !!É verdade que penso que o tempo cura muitas dores, tanto físicas como psicológicas... Também o partilhar experiências como a Julianaf fez neste fórum ...
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#29 (permalink) |
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Directora
Data de Registo: Oct 2008
Posts: 301
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Metendo o bedelho onde não devo, pergunto-me se a Juliana estaria preparada para se queixar tão cedo. Porque isso implicaria reviver tudo de novo. E tão mau como foi provavelmente ainda hoje é difícil reviver aqueles momentos. Eu faria uma reclamação, não à procura de vingança nem de processos mas para que as pessoas fossem obrigadas a reflectir nos procedimentos e atitudes. A humanização do parto é cuidar, é dar carinho, é respeitar, mas é sempre acompanhar clinicamente da forma correcta. E isso não aconteceu.
Mesmo que não seja por ela o facto de isso poder vir a beneficiar alguém já valeria a pena. Mas isso sou eu que apesar de achar que vivemos rodeadas de insensibilidade ainda acredito que é possível mudar um bocadinho o mundo. Pelo menos aquele em que vivemos. De qualquer forma concordo que desabafar aqui pode ter ajudado. A Juliana é uma corajosa! |
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#30 (permalink) |
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Jornalista
Data de Registo: Oct 2008
Posts: 13
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Sissy, não é uma questão de ser ou não terapêutico. É uma questão de fazer valer direitos que não têm prazo de prescrisção (estamos a falar de 18 meses, não de 18 anos). E é uma questão de chamar a atenção de quem tem responsabilidades nesta matéria. Caso contrário, estes casos vão continuar a repetir-se porque nunca ninguém se mostrou indignado. Passamos a vida a desculpar os médicos. É uma profissão maravilhosa, absolutamente única. Mas já chega de endeusamento, não acha?
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